DEUS

Aos seis anos de idade fui obrigado a fazer aulas de catecismo católico. Em uma dessas aulas o padre afirmou que Deus era “todo poderoso”. Imediatamente indaguei se ele poderia criar algo tão pesado que ele mesmo não pudesse carregar.

De pronto, sem pensar, o padre respondeu que sim, ao que eu retruquei: – É elementar, se ele não pode carregar não é todo poderoso.

Creio que esta tenha sido a primeira semente da nossa Igreja Holística Sagração da Natureza.

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Temos tanto livre arbítrio quanto um peixe de aquário, podemos fazer todas as escolhas que nosso mundo sub lunar nos permite. Sim, como para o peixe, nossas escolhas não estão livres de consequências. Podemos até optar por pular para fora do aquário ou, no nosso caso, mundo sub lunar, isto é, embarcar em uma nave espacial que em circunstâncias favoráveis nos levará além da atmosfera terrestre e, possivelmente, nos trará de volta. Entretanto, se nos lançarmos nessa aventura sem um bom planejamento estaremos fadados ao fracasso. Regra de física: “Para que qualquer fenômeno se realize na natureza será necessária uma certa quantidade de energia”. Ressalte-se o vocábulo “certa”. Não é qualquer quantidade de energia que será capaz de realizar um fenômeno, mas uma certa e adequada quantidade, nem mais nem menos. Acrescente-se aqui uma regra básica de administração, PLANEJAMENTO, e teremos a fórmula para conseguirmos chegar onde quisermos. Energia certa e planejamento certo.

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           O mito do herói talvez seja o mais antigo da humanidade. Embora esteja sempre representado por um personagem principal, como no Prometeu da mitologia grega, não diz respeito a este ou a aquele individuo, mas sim à humanidade. Evoluímos de bactérias às cavernas e hoje vivemos a era da tecnologia. Percorremos um grande caminho ou fizemos uma grande viagem até chegarmos onde estamos.

          Somos seres aquáticos, nosso organismo é composto por cerca de 80% de água, portanto, dependemos do equilíbrio do planeta água.

          Se fizermos um corte epistemológico cósmico, poderemos afirmar que o nosso meio ambiente imediato é o sistema solar. O mesmo Sol que alimenta todos os seres da terra é, por um princípio de termodinâmica, também o responsável pela desertificação.

          O Sol é o gerador do fogo do espírito, sem sol não há vida, com excesso de sol vem morte. Tudo depende de um delicado equilíbrio.

          Os recursos da terra são limitados. Quando somos tantos a usar a água doce dos rios que alimentam o Mar Morto, a ponto de impedir que ela chegue até ele, começamos a secar esse mar. Ao derrubarmos florestas para instalar agricultura e pecuária, extinguimos milhões de espécies vegetais e animais para aumentar a humanidade, que é monocultura dos maiores predadores que a natureza já produziu.

          A nova mitologia pode ser econômica ao tempo em que é ecológica, já que ambas as palavras tem aproximadamente o mesmo sentido etimológico. Controle da natalidade é algo que ocorrerá por iniciativa própria ou espontaneamente, através de guerras e epidemias.

          Teremos de novamente dar um salto quântico, construir a ponte entre a antiga mitologia religiosa – que foi usurpada pelo poder político a ponto de perder seu sentido original e conduzir ao stress do planeta em que vivemos – até a nova mitologia, a Mitologia Ecológica, que poderá preservar a nossa espécie. É inevitável, ou preservamos o meio ambiente ecológico ou nos extinguiremos em curto prazo histórico.

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Por mais que nos falte inteligência para saber as razões de algo ocorrer, não podemos por isto afirmar que seja aleatório. Em tudo há uma lógica que quase sempre nos escapa à percepção.

A mitologia religiosa de vários povos, inclusive a judaico cristã, afirma ser Deus omnipresente, omnipotente, omnisciente. Ora, a Natureza Universal é tudo isso! Está presente ao, menos como matéria prima, em nós e tudo que nos cerca, das partículas subatômicas aos milhões de galáxias e o infinito dos múltiplos universos.

Embora a ciência faça um corte epistemológico, que visa separar natureza de cultura e afirme ser cultural o que for produzido pelo homem, não podemos esquecer que também somos natureza, aliás, o corte só passa a existir a partir do momento em que o fazemos e se dá apenas na nossa mente animal. Podemos discorrer anos sobre a natureza de tudo para, finalmente, chegarmos à conclusão que ela é intrínseca a tudo. Portanto omnipresente.

A humanidade tem afirmado que o universo é magnético. Independentemente do nome que se dê à energia, é inequívoco que tudo que acontece aqui e no multiverso se dá porque é possível. O que possibilita que algo aconteça ou ocorra é alguma lei da Natureza omnipotente. Mesmo os “milagres” são eventos cuja lógica intrínseca, circunstancialmente, ignoramos.

Tudo são ondas de energia, desde o Big Bang até nossos pensamentos são fenômenos naturais que permanecem magneticamente gravados no “Campo” ou, como diriam os Indus, no Akasha. Trata-se aqui da omnisciência da Natureza.

Eis aqui porque sagramos a Natureza omnisciente, omnipotente, omnipresente: porque o físico e o metafísico são naturais! Deus é Natural.

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Na mitologia judaico-cristã a serpente seduz a mulher, esta seduz o homem e, por isto, homem e mulher são expulsos do paraíso. Entenda-se por cristã as ideologias das igrejas e não o cristianismo original que era reformador do judaísmo e foi rejeitado pelos judeus e sincretizado por Roma.

Na mitologia indiana a serpente representa o kundalini, é a energia vital natural. Um aspecto importante dessa energia é a sexual, essencial à natureza humana.

Em ambas as mitologias a serpente representa a Natureza!

Ao separar o homem da natureza, a mitologia judaico-cristã o divorcia do mundo real e o encaminha para o que chamamos de cultural, isto é, o criado pelo homem sobre a Natureza. Ela o faz crer que é um ser à parte da Natureza e que a sociedade é seu centro. A partir dessa distorção, desenvolve-se uma mitologia em que o homem disputa com a Natureza, a Natureza compete com Deus e Deus, seu criador, omnisciente e omnipotente, condena a Natureza, neste caso representada pela serpente que no mito representou sua antagonista.

Esse dado de programação religiosa nos conduziu ao atual estado avançado de deterioração do meio ambiente. A metáfora a ser extraída dessa mitologia nos leva a crer que somos seres especiais e superiores a tudo o mais na Natureza, e isto nos autorizaria a dominar a Natureza para atender nossos interesses à parte dela.

O fato é que não somos superiores à Natureza e não podemos dominá-la como um todo, somos espécie enquanto ela é gênero. Ao ignorarmos isto cometemos o equívoco que nos conduziu ao estado doentio em que nos encontramos. Resta-nos a alternativa de corrigir o rumo a partir de uma nova mitologia, a Sagração da Natureza, caso contrário, a julgar pelo fato de que os meios adotados condicionam a um fim previsível logicamente, nos extinguiremos inevitavelmente.

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