UNIMES – UNIVERSIDADE METROPOLITANA DE SANTOS

CURSO – MESTRADO EM DIREITO

TEORIA GERAL DO DIREITO

PROFESSORA DOUTORA MARGARETH ANNE LEISTER

MESTRANDO EXPOSITOR DO TÓPICO: SERGIO DANTE BALLARINI

ENCÍCLICA PAPAL FÉ E RAZÃO – CAPÍTULO VI

I – INTRODUÇÃO: FILME “QUEM SOMOS NÓS”

2 – BREVE HISTÓRIA DA PATRÍSTICA

No período da decadência do Império Romano, quando o cristianismo se expande, surge a partir do século II a filosofia dos Padres da Igreja, conhecida também como patrística. No esforço de converter os pagãos, combater as heresias e justificar a fé, desenvolvem a

apologética(1), elaborando textos de defesa do cristianismo. Começa aí uma longa aliança entre Fé & Razão que se estende por toda a Idade Média, em que a razão é considerada auxiliar da fé e a ela subordinada. Daí a expressão agostiniana “Credo ut intelligam” que significa “creio para entender”.

Os Padres recorrem inicialmente à filosofia platônica e realizam uma grande síntese com a doutrina cristã, mediante adaptações consideradas necessárias.

O principal nome da patrística é Santo Agostinho (354 – 430), bispo de Hipona, cidade do norte da África. Agostinho retoma a dicotomia platônica referente ao mundo sensível e ao mundo das idéias e substitui este último pelas idéias divinas. Segundo a teoria da iluminação, o homem recebe de Deus o conhecimento das verdades eternas: tal como o sol, Deus ilumina a razão e torna possível o pensar correto.

(Se entendermos que Deus é a natureza imensurável, não haverá dificuldades para aceitar a Teoria da iluminação.)

Santo Agostinho viveu no final da antiguidade; logo depois que Roma cai nas mãos dos bárbaros, tendo início o período da Idade Média. Na primeira metade, conhecida como Alta Idade Média, continua sendo enorme a influência dos Padres da Igreja e vários pensadores de saber enciclopédico retomam a cultura antiga, continuando o trabalho de adaptação às verdades teológicas.

3 – BREVE HISTÓRIA DA ESCOLÁTICA

A escolástica é a filosofia cristã que se desenvolve desde o século IX, tem seu apogeu no século XIII e começo do século XIV, quando entra em decadência.

Continua a aliança entre Fé & Razão, esta última sempre considerada “serva da teologia”. Com freqüência as disputas terminam com o apelo ao princípio da autoridade, que consiste na recomendação de humildade para consultar os intérpretes autorizados pela Igreja.

No entanto, a partir do século XI, com o renascimento urbano, começam a surgir ameaças de ruptura da unidade da Igreja, e as heresias anunciam o novo tempo de contestação e debates em que a razão busca sua autonomia. Inúmeras universidades aparecem por toda a Europa e são indicativas do gosto pelo racional, tornando-se focos de excelência de fermentação intelectual.

Durante muito tempo predomina na Idade Média a influência de Platão, considerada mais adaptável aos ideais católicos. O pensamento de Aristóteles era visto com desconfiança pelo fato de os árabes terem feito interpretações tidas como perigosas para a fé.

A partir do século XIII Tomás de Aquino utiliza traduções feitas diretamente do grego e faz a síntese mais profícua da escolástica, que será conhecida como filosofia aristotélico-tomista. Aquino cria realmente um equilíbrio entre razão e revelação, que passou a catolicismo e até hoje permanece no princípio paralelo ao de Agostinho, “intellego ut credam” – “compreendo para crer”. Tomás reconhece que a natureza, objeto próprio da filosofia, pode contribuir para a compreensão da revelação divina. Deste modo fé não teme razão, mas a solicita e nela confia.

Após quatro séculos a filosofia aristotélico-tomista torna-se entrave para a ciência provocando a crítica de Descartes e o sofrimento de

Galileu(2).

4 – A CARTA ENCÍCLICA FÍDES ET RATIO DO SUMO PONTÍFICE JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA IGREJA CATÓLICA APOSTÓLICA ROMANA, SOBRE AS RELAÇÕES ENTRE FÉ E RAZÃO.

Antes de abordarmos a capítulo VI permitimo-nos uma incursão pela gênese da encíclica, a fim de circunstanciarmos do que tratamos neste estudo.

A encíclica papal é propriamente uma bula de catequese cultural em que o pontífice orienta o magistério da “verdade” aos povos.

João Paulo II inicia sua carta afirmando que Fé & Razão são como duas azas de um pássaro, opostas e complementares. Afirma ainda que a fé tida isoladamente gera o fidelismo e a razão pura o racionalismo. Em outras palavras, orienta a catequese pelo caminho do meio. (In verbis)

A fé e a razão (fides et ratio) constituem como que as duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade. Foi Deus quem colocou no coração do homem o desejo de conhecer a verdade e, em última análise, de O conhecer a Ele, para que, conhecendo-o e amando-o, possa chegar também à verdade plena sobre si próprio (cf. Ex 33, 18; Sal 2726, 8-9; 6362, 2-3; Jo 14, 8; 1 Jo 3, 2”. (grifei).

Logo de início a encíclica aborda o dilema presente em todas as culturas, acerca do conhecimento perseguido pelo homem, de si mesmo e do universo que integra. Aponta assim o veio a ser explorado pelos catequistas. (in verbis)

(…)A recomendação conhece-te a ti mesmo estava esculpida no dintel do templo de Delfos, para testemunhar uma verdade basilar que deve ser assumida como regra mínima de todo o homem que deseje distinguir-se, no meio da criação inteira, pela sua qualificação de homem, ou seja, enquanto conhecedor de si mesmo. Aliás, basta um simples olhar pela história antiga para ver com toda a clareza como surgiram simultaneamente, em diversas partes da terra animadas por culturas diferentes, as questões fundamentais que caracterizam o percurso da existência humana: Quem sou eu? Donde venho e para onde vou? Porque existe o mal? O que é que existirá depois desta vida? Estas perguntas encontram-se nos escritos sagrados de Israel, mas aparecem também nos Vedas e no Avestá; achamo-las tanto nos escritos de Confúcio e Lao-Tze, como na pregação de Tirtankara e de Buda; e assomam ainda quer nos poemas de Homero e nas tragédias de Eurípides e Sófocles, quer nos tratados filosóficos de Platão e Aristóteles. São questões que têm a sua fonte comum naquela exigência de sentido que, desde sempre, urge no coração do homem: da resposta a tais perguntas depende efetivamente a orientação que se imprime à existência.”

Capítulo VI – Interação da Teologia com a Filosofia.

O autor adverte que sua teologia está organizada como ciência da fé, à luz de um duplo sentido metodológico

auditus fidei(3) e intellectus fidei(4). Com o primeiro recolhe os frutos da revelaçãotal como se foram explicitando na Sagrada Tradição, na Sagrada Escritura e no Magistério vivo da Igreja”.

Afirma, referindo-se ao intellectus fidei, que “a verdade divida proposta nas Sagradas Escrituras, interpretadas corretamente pela doutrina da Igreja goza de inteligibilidade própria, logicamente tão coerente que se deve propor como um autêntico saber. O intellectus fidei explicita essa verdade (…)”

O documento parte da premissa de que a Bíblia é a palavra revelada de Deus e, também, que a Igreja Católica Apostólica Romana é a Igreja desse Deus e, assim sendo, é autora da melhor interpretação das escrituras sagradas, e não admite controvérsias a este respeito.

À luz destas considerações, a justa relação que se deve instaurar entre a teologia e a filosofia há de ser pautada por uma reciprocidade circular. Quanto à teologia, o seu ponto de partida e fonte primeira terá de ser sempre a palavra de Deus revelada na história, ao passo que o objetivo final só poderá ser uma compreensão cada vez mais profunda dessa mesma palavra por parte das sucessivas gerações. Visto que a palavra de Deus é Verdade (cf. Jo 17, 17), uma melhor compreensão dela só tem a beneficiar com a busca humana da verdade, ou seja, o filosofar, no respeito das leis que lhe são próprias. Não se trata simplesmente de utilizar, no raciocínio teológico, qualquer conceito ou parcela dum sistema filosófico; o fato decisivo é que a razão do crente exerce as suas capacidades de reflexão na busca da verdade, dentro dum movimento que, partindo da palavra de Deus, procura alcançar uma melhor compreensão da mesma. É claro, de resto, que a razão, movendo-se dentro destes dois pólos – palavra de Deus e melhor conhecimento desta -, encontra-se prevenida, e de algum modo guiada, para evitar percursos que poderiam conduzi-la fora da Verdade revelada e, em última análise, fora pura e simplesmente da verdade; mais ainda, ela sente-se estimulada a explorar caminhos que, sozinha, nem sequer suspeitaria de poder percorrer. Esta relação de reciprocidade circular com a Palavra de Deus enriquece a filosofia, porque a razão descobre horizontes novos e inesperados.(grifei)

1. De Tertuliano, parte da teologia que defende, faz apologia do cristianismo, defesa vigorosa contra os hereges. Voltar ao texto.

2. ARANHA, Maria Lúcia de Arruda & MARTINS, Maria Helena Pires, Filosofando, ed. Moderna, pág. 101 e 102, São Paulo, 1994.Voltar ao texto



3. Literalmente: ouvido fiel. Voltar ao texto



4. Literalmente: discernimento fiel. Voltar ao texto

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Temas de inspiração em trechos do livro:

Índice

(Clique para acessar diretamente)

NATUREZARELIGIÃOTEOLOGIAECOLOGIA/ECONOMIADIREITO,

AMBIENTALISMOÉTICAFILOSOFIASOCIOLOGIAANTROPOLOGIA,

FÍSICABIOLOGIAHISTÓRIAESPIRITOLOGIA

NATUREZA

pág. 45 a 48:

Na dimensão antropocêntrica, por exemplo, quando elaboramos uma norma de comportamento social temos a oportunidade e a possibilidade de contemplar a dimensão ecocêntrica ou ignorá-la e observar apenas uma causa própria da espécie isoladamente.

O fato de escolhermos a segunda opção constitui-se num grande equívoco, pois implica na melhor das hipóteses em obtenção de alguma ordem relativa, o que significa dizer, genericamente, desordem, uma vez que a espécie componente da segunda hipótese representa apenas uma pequena parcela do todo.

Por tudo o que foi dito anteriormente não se pode ignorar que o homem seja parte integrante do universo que o compõe e é por ele composto. A menor área de influência possível de se enfocar neste caso é o ser e seu meio ambiente, ou seja, no mínimo a terra, seu pluralismo de seres e o sistema solar, pois dele dependemos e este nos afeta imediatamente.

Assim, mesmo que queiramos nos privilegiar em detrimento de tudo o mais nós não podemos, pois por força de lei, somos e, mais do que nunca, estamos adstritos a termos de contemplar a perspectiva ecocêntrica. É a nossa única alternativa amplamente consciente, mesmo que o canhestro fim almejado seja apenas, egoisticamente, a preservação da nossa espécie.

É inevitável, não existe separação de fato, pois, sob esta ótica ampliada, se quisermos ser antropocêntricos teremos de ser necessariamente ecocêntricos.

Não podemos continuar extinguindo os elementos que compõem a estrutura da vida no planeta sob a certeza de chegarmos à ruína absoluta.

Admitindo-se a hipótese de eu não ter sido suficientemente claro, convincente e didático, para melhor compreensão do que pretendo dizer, a partir deste ponto, é importante uma exposição da Teoria Gaia.

“James Lovelock fez uma descoberta iluminadora que o levou a formular um modelo que é, talvez, a mais surpreendente e mais bela expressão de auto-organização – a idéia de que o planeta Terra como um todo é um sistema vivo, auto-organizador. (…)

O processo de auto regulação é a chave da idéia de Lovelock. Ele sabia, pela astrofísica, que o calor do sol aumentou em 25 por cento desde que a vida começou na Terra e que, não obstante esse aumento, a temperatura da superfície da Terra tem permanecido constante, num nível confortável para a vida, nesses quatro bilhões de anos. E se a Terra fosse capaz de regular sua temperatura, indagou ele, assim como outras condições planetárias – a composição de sua atmosfera, a salinidade de seus oceanos, e assim por diante – assim como os organismos vivos são capazes de auto-regular e de manter constantes a temperatura de seus corpos e também outras variáveis? Lovelock compreendeu que essa hipótese significava uma ruptura radical com a ciência convencional. (…)

Nessa época Lovelock não tinha idéia de como a terra poderia regular sua temperatura e a composição de sua atmosfera: (…) No entanto, ao mesmo tempo, a microbiologista norte-americana Lynn Margulis estava estudando os processos que Lovelock precisava entender – a produção e a remoção de gases por vários organismos, incluindo especialmente as miríades de bactérias presentes no solo da Terra. (…) Logo depois, vários colegas dela recomendaram que conversasse com James Lovelock, o que levou a uma longa e proveitosa colaboração, a qual resultou na hipótese Gaia plenamente científica. (…)

O aspecto de destaque desses laços de realimentação está no fato de que ligam conjuntamente sistemas vivos e não vivos. Não podemos mais pensar nas rochas, nos animais e plantas como estando separados uns dos outros. A teoria de Gaia mostra que há um estreito entrosamento entre as partes vivas do planeta – plantas, micro-organismos e animais – e suas partes não vivas – rochas, oceanos e a atmosfera.

(…) Os vulcões da Terra tem vomitado enormes quantidades de dióxido de carbono (CO2) durante milhões de anos. Uma vez que CO2 é um dos principais gases de estufa, Gaia precisa bombeá-lo para fora da atmosfera; caso contrário, ficaria quente demais para a vida. Plantas e animais reciclam grandes quantidades de CO2 e de oxigênio nos processos de fotossíntese, da respiração e da decomposição. No entanto essas trocas estão sempre em equilíbrio e não afetam o nível de CO2 da atmosfera. (…)

No processo de erosão das rochas, estas combinam-se com a água da chuva e com o dióxido de carbono para formar várias substâncias químicas denominadas carbonatos. O CO2 é então retirado da atmosfera e retido em soluções líquidas. (…) Lovelock e outros descobriram que a presença de bactérias no solo aumenta enormemente a taxa de erosão das rochas. (…)

Os carbonatos são então arrastados para o oceano, onde minúsculas algas, invisíveis a olho nu, os absorvem e os utilizam para fabricar primorosas conchas calcárias (de carbonato de cálcio). Desse modo, o CO2 que estava na atmosfera vai parar nas conchas dessas algas diminutas (…). Além disso, as algas oceânicas também absorvem dióxido de carbono diretamente do ar.

Quando as algas morrem, suas conchas se precipitam para o fundo do mar, onde formam compactos sedimentos de pedra calcária. (…) Devido ao seu enorme peso, os sedimentos de pedra calcária gradualmente afundam no manto da terra e se fundem, podendo até mesmo desencadear os movimentos das placas tectônicas. Por fim, parte do CO2 contido nas rochas fundidas é novamente vomitado para fora por vulcões, e enviado para uma outra rodada do grande ciclo de Gaia.”

Sob esta perspectiva impõe-se a revisão e substituição dos velhos paradigmas que orientaram nossa espécie até então.

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RELIGIÃO

pág. 38 a 42 :

Na Bíblia a eternidade se retira, a natureza se corrompe e decai. Segundo o pensamento bíblico o homem depois da expulsão do Paraíso vive seu exílio. Mitologicamente, está criada aí a oposição do homem em face da natureza.

Não vai longe o tempo em que os homens se vangloriavam de suas caçadas e da derrubada de grandes árvores. Ainda hoje se fazem heróis entre os que disputam com a natureza as escaladas de picos nevados, as travessias de canais a nado, as expedições solitárias em meio aos oceanos, continentes gelados, etc..

“No início, Deus era apenas o mais poderoso entre vários deuses. Era apenas um Deus tribal, circunscrito. Então, no século VI, quando os judeus estavam na Babilônia, foi introduzida a noção de um Salvador do mundo, e a divindade bíblica migrou para uma nova dimensão. (…) No tempo do Velho Testamento, o mundo era um pequeno bolo de três camadas, que consistia de algumas centenas de milhas em torno dos centros do Oriente Próximo. Ninguém tinha ouvido falar dos astecas ou dos chineses (…). Na comunidade hebraica, o culto a Jeová foi um movimento específico que finalmente prevaleceu. Foi o esforço decisivo de um certo deus da periferia do templo contra o culto da natureza, que era celebrado por toda a parte.

E essa investida imperialista de um certo segmento da cultura se prolongou no Ocidente. Mas agora ela precisa abrir-se à natureza das coisas. Se for capaz de abrir-se, terá aí todas as possibilidades.” (grifo nosso)

A adoção desse velho paradigma dando a ideia de que o homem em sociedade se bastaria, além de servir para iludi-lo, desonerando-o ante a constatação do deserto criado por toda parte onde se instalava e passava, evidentemente inspirou a criação de normas de comportamento social fundadas nessa pseudo verdade. A partir de então a ideia foi propagada por toda a sociedade Ocidental que passou a ser estruturada segundo tal modelo.

Esse modelo é a pedra fundamental dos sistemas jurídicos contemporâneos, que privilegiam esta sociedade estritamente antropocentrista em detrimento de tudo o mais. Os direitos surgem como que das cartolas dos mágicos, apenas partindo-se da falsa premissa que afirma ser o homem dotado de excepcionais virtudes que alguns outros, animais, vegetais e minerais não têm. Nesta fórmula entram ainda componentes étnicos.

Desde então, todas as atrocidades e genocídios perpetrados por exércitos imperialistas são sempre acompanhados da mesma justificativa: “a salvação do mundo”, em outras palavras ou, modernamente, “a paz mundial”.

“No todo, a tradição judaico/cristã, que informa boa parte de nossa consciência cultural e de nós mesmos no Ocidente, colocou o homem numa categoria à parte como algo único neste mundo, com certeza, e possivelmente também no Universo como um todo. Segundo essa tradição, Deus fez todas as criaturas segundo sua própria espécie, mas fez o homem è Sua própria imagem e lhe deu domínio sobre a terra. O homem deveu sua colocação especial não a seu corpo, que era feito de mero “barro”, mas ao fato dele possuir uma alma – em tempos modernos, uma consciência – que de alguma forma espelhava a do Divino Ser. Em termos filosóficos modernos tudo isso foi esclarecido e transmitido a nós no dualismo mente-corpo de Descartes, na divisão da realidade em substâncias pensantes (res cogita) e substâncias puramente mecânicas estendidas no espaço (res extensa).

Tendo-se fé numa deidade transcendente, pouco importa que a alma, ou a consciência, do homem possua escassa relação com as outras coisas desse mundo. Unidos a Deus, que necessidade temos de comungar com as feras e as coisas?

Mas, com o advento da ciência moderna no século 17 e a retirada lenta mas inexorável da deidade transcendental das coisas, nossa consciência humana parecia não mais espelhar nada senão a si mesma. Sem o Deus cristão, sem a fé num reino transcendental da alma, e cego para a “alma” (consciência) das coisas e criaturas, o dualismo cartesiano ateu nos deixou de mãos vazias, exceto por um grosseiro materialismo. O senso de ser único por ter sido escolhido deu lugar ao sentido de alienação comum do século 20, pois somos diferentes de tudo à nossa volta e estamos inexoravelmente sós. (…) A visão de mundo cartesiana foi necessária ao cultivo da física de Newton e a todo o progresso tecnológico que seguiu em sua esteira, mas numa cultura pós-cristã ela é filosófica e espiritualmente estéril. Enquanto a alma do homem moderno clama por algo mais, (…) por algo além de nós mesmos, por uma sensação de estar em casa dentro do Universo, nossa razão também exige que compreendamos melhor nossa experiência. A consciência é um fato dessa experiência, e uma filosofia ou ciência que não consiga explicar a consciência está necessariamente incompleta. Isso tornou-se uma verdade familiar aos físicos, que vêm lutando para compreender os desenvolvimentos de seu próprio campo, mas ainda é necessário que ela se infiltre na visão dos intelectuais em geral. E se tanto o cristianismo como a ciência moderna pré-quântica estiverem errados? E se o homem não for um ser único? E se, afinal de contas, em algum grau partilhamos com outras coisas ou criaturas do Universo o fato de sermos conscientes? Fica impossível ignorar tais questões se levarmos em conta o conhecimento da moderna biologia, ou se levarmos as sugestões de filósofos e físicos como Alfred North Whitehead e David Bohm no sentido de que mesmo as partículas subatômicas talvez possuam propriedades rudimentares de consciência.

Será que nós, seres humanos, somos realmente diferentes de tudo o mais, como vem sustentando a tradição ocidental predominante, ou sob um aspecto importante será nossa consciência um contínuo com outras coisas do Universo? E, se for contínua, até que ponto se estende essa continuidade? A cães e gatos? Às amebas? Às pedras? Ou até elétrons? Já ao começar a pensar desta forma estamos experimentando uma boa mudança de paradigma.”

Nas palavras de Albert Einstein: “podemos então considerar a matéria como constituída por regiões do espaço nas quais o campo é extremamente intenso. (…) Não há lugar nesse novo tipo de Física para campo e matéria, pois o campo é a única realidade.”

Para Einstein e para a física quântica não existe divisão entre matéria e energia. As partículas são concentrações de energia que se condensam e solvem ciclicamente em ondas por razões ainda desconhecidas. O mais importante aspecto dessa descoberta, para este trabalho, é o destronamento dessa lógica bidimensional cartesiana e, também, a desmistificação da idéia de que o homem tenha sido o único ser criado por Deus à sua imagem e semelhança para ser o senhor da terra e do universo. Afinal, é possível que sejamos todos formados pela mesma energia original, que compartilhamos o mesmo campo com tudo que é – por nossa cultura – considerado inferior, como minerais, animais, vegetais e anjos, ou superior, como deuses, semideuses, santos, etc..

“A cooperação harmônica de todos os seres surgiu não das ordens de uma autoridade superior, exterior a eles próprios, mas do fato de que todos fazem parte de uma hierarquia de totalidades, compondo um padrão cósmico, e aquilo a que eles obedeciam eram os ditames internos de suas próprias naturezas.”

Eu e o Pai somos um”. Essas palavras de Jesus Cristo, por paradoxal que possa parecer, talvez queiram dizer exatamente o que acabo de sugerir no parágrafo anterior. Para que compreendamos, basta que admitamos que o “Pai”, o criador a que Jesus se refere, é exatamente essa energia, vácuo ou campo original já mencionada, componente universal de todos, de tudo e do nada, simultaneamente. Sim, pois, se o nada, o vácuo perfeito existe, mesmo que apenas conceitualmente, idealmente, tem a mesma origem de tudo o mais, logo, Deus é o tudo, mas para tanto tem ser também o nada!

“Todos os sistemas quânticos do universo, inclusive nós mesmos, estão entrelaçados (correlacionados e enredados) em alguma medida. Mesmo o vácuo quântico está repleto de correlações. Tal entrelaçamento básico é a essência da realidade quântica. Mas esses mesmo sistemas também têm potencial para mais entrelaçamentos, para mais e mais profundos relacionamentos, e esse potencial é um aspecto importante de uma psicologia baseada na natureza quântica da pessoa. Ele a dinamiza.”

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TEOLOGIA

: PÁG. 21 A 22

… Erwin Schroedinger, fundador da mecânica quântica, afirmou:

“Embora se configure inconcebível para a razão comum (…) você e todos os demais seres conscientes estão integrados reciprocamente. Portanto, esta sua vida atual não é meramente uma parte de toda a existência, senão que, em certo sentido, é o todo (…) Assim, você pode se lançar ao chão, espraiado na Mãe Terra, com a convicção de que você é uno com ela e ela contigo.”

Teillard de Chardin, paleontólogo jesuíta, estava absolutamente convencido pela ciência e pela filosofia que o universo é um todo indissociável.

“Quanto mais distante e profundamente penetramos na matéria, através de métodos progressivamente mais poderosos, mais somos confundidos pela interdependência de suas partes. Cada elemento do cosmos foi positivamente tecido por todos os demais (…) É impossível cortar esta teia para isolar uma parte sem que ela fique desemaranhada e rasgada em todas as suas extremidades.”

Quando todos nós soubermos viver conscientes de sermos partes intrínsecas do todo, a nova mitologia em formação no Ocidente, poderemos dizer que está instalado o novo paradigma e restabelecida a integridade ecológica.

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ECOLOGIA/ECONOMIA

: pág. 54 a 55:

… O mais interessante de toda esta lógica é que não precisamos, necessariamente, viver alienados do nosso cotidiano para contemplarmos a perspectiva ecocêntrica. Mesmo porque existe a possibilidade de, como simples agentes de transformação, sermos excluídos em curto ou médio prazo evolutivo, e, se for este o caso, o melhor que podemos fazer para ajudar é o que já estamos fazendo, trabalhando neste sentido!

Contrário senso, caso queiramos conservar, é preciso que apliquemos a regra básica de economia – vocábulo cujo significado etimologicamente falando, por incrível que hoje em dia possa parecer, é similar a ecologia. Refiro-me à lei do “mínimo esforço”, entenda-se o mínimo dispêndio de energia possível (para o máximo resultado). Para consegui-lo não precisamos sequer utilizar aquela inteligência que afirmamos ter superior à dos demais seres da natureza.

Em síntese, sabemos o que é preciso fazer para chegarmos àquela justiça holística. Basta que queiramos de fato – isto implica em certas renúncias – para conseguirmos.

Com a ilustração da capa tive a intenção de demonstrar que somos parte de um todo composto por milhões de espécies em um remoto planeta do sistema solar, situado na periferia da Via Láctea, entre milhões de galáxias no universo percebido por nós. Por mais que acreditemos que somos seres superdotados e maravilhosos, tudo não passa de mera questão de ponto de vista.

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DIREITO

pág. 13

… Cumpre esclarecer que ao afirmar ser o Direito um fenômeno emanado da natureza e não quero com isto dizer que podemos processar, segundo nossos costumes, cavalos, pedras, árvores, rios, peixes, galinhas, bactérias, etc ..

“E ainda na Idade Média era possível por uma ação contra um animal – contra um touro, por exemplo, que houvesse provocado a morte de um homem, ou contra os gafanhotos que tivessem aniquilado as colheitas. O animal processado era condenado na forma legal e enforcado, precisamente como se fosse um criminoso humano.”

O Direito, ao tempo em que é originalmente natural, é, também, eminentemente antropocêntrico e, consequentemente, cultural.

Sem dúvida, é importante sabermos distinguir se algo natural experimentou, ou não, interação humana. Porém, é certo que não podemos ignorar a presença de sua existência pia na dimensão original.

“Se se parte da distinção entre ciências da natureza e ciências sociais, por conseguinte, se distingue entre natureza e sociedade como objetos diferentes destes dois tipos de ciência, põe-se logo a questão de saber se a ciência jurídica é uma questão da natureza ou uma ciência social. Mas esta contraposição de natureza e sociedade não é possível sem mais, pois a sociedade, quando entendida como a real ou efetiva convivência entre homens pode ser pensada como parte da vida em geral e, portanto, como parte da natureza. Igualmente o direito – ou aquilo que primo conspecta se costuma designar como tal – parece, pelo menos quanto a uma parte do seu ser situar-se no domínio da natureza. Ter uma existência inteiramente natural.”

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AMBIENTALISMO

pág. 17 a 23:

… Imagino que nada seja mais adequado que iniciar este capítulo reproduzindo, desde logo, as palavras do doutor Benjamin:

“A proteção do meio ambiente, já vimos, teve, nos seus primórdios, como justificativa fundamental para sua configuração, a tutela do homem: protegia-se o ambiente porque tal significava, em última instância, assegurar a existência dos próprios indivíduos ou daquilo que lhes era muito caro, no sentido estético, turístico, paisagístico ou mesmo econômico. É a visão antropocêntrica que, não obstante a crítica bem fundamentada que enfrenta, ainda domina, internacional e nacionalmente, a legislação ambiental e doutrina especializada.

Mas ao lado dessa perspectiva, centralizada com exclusividade no homem, passou-se a justificar a proteção do ambiente também em razão de valor intrínseco manifestado pela natureza: protege o meio ambiente porque ele vale por si mesmo, independentemente de sua relevância sanitária ou posição estética, paisagística ou turística. É a perspectiva biocêntrica ou ecocêntrica.”

É animador imaginar que há no mundo uma vontade crescente de enfocar-se a questão ambiental sob a ótica ecocêntrica ou biocêntrica.

Estou certo de que certa transição está em curso e deve vir a acontecer mais dia, menos dia, assim como num ciclo da natureza que se completa dando origem a outro que já existia anteriormente e nunca ressurge igual.

Apesar de tudo vez ou outra eu me surpreendo com alguns questionamentos que ainda me assaltam, tais como: Será que mesmo que queira ser ecocêntrico, de qualquer maneira a análise ou o enfoque que venha do homem não terá seu ponto de vista contaminado pelo antropocentrismo?

Nossa limitação cultural nos dificultaria saber qual seria o ideal ecocêntrico?

Por outro lado, se somos parte de um mesmo “tecido sem costuras” será que podemos distinguir nossos interesses dos da natureza?

A propalada perspectiva ecocêntrica pode circunstancialmente não ser biocêntrica?

Em muitas outras oportunidades voltei a constatar que no mundo todo havia gente iluminada pensando de maneira parecida, afinal já era possível perceber que estávamos fazendo parte do que, em princípio, identifiquei como três correntes distintas. Eram compostas por cientistas jurídicos voltados para as chamadas ciências culturais; físicos e biólogos – voltados para as chamadas ciências naturais, estes aparentemente pareciam compor a comunidade mais visível da corrente, expostos à apreciação de todos com suas publicações. Finalmente, havia, também, uma parcela voltada para o esoterismo – chamado ingenuamente de ciências ocultas – que imagino permear as culturais e ser permeado pelas naturais, este um tanto quanto obscuro, menos visível, entretanto, igualmente voltado para o culto à natureza. Compreendi que, paradoxalmente, éramos uma só e a mesma corrente de pensamento.

Muitos com preconceito hão de torcer o nariz ate o que, eventualmente chamarão de promiscuidade pseudo científica, espúria mistura improvável – principalmente por causa da inclusão das ciências ocultas – mas, ao final, hão de compreender que de fato jamais houve qualquer divórcio verdadeiro entre as ciências, fossem quais fossem.

Fritjoff Capra, por exemplo, em “O Tao da Física” abre seu livro citando o antropólogo e místico Carlos Castañeda; logo a seguir Capra faz um estudo comparativo entre misticismo oriental e física moderna demonstrando que, cada um à sua maneira, fala da mesma unidade de todas as coisas, da importância de se superar o dualismo e a noção de tempo e espaço.

Isaac Newton, Carl G. Jung, Leonardo da Vinci, Paracelso, Thomas Edson, Francis Bacon, e Einstein, entre outros, eram cientistas e místicos ao mesmo tempo; este último tinha a “Doutrina Secreta” de H.P. Blavatsky como livro de cabeceira.

A cientista autora de “O Ser Quântico” assina Danah Zohar. O “Zöhar”, “luz”, “esplendor”, é uma coleção de escritos hebraicos esotéricos que vieram a lume por volta de 1305, graças a um erudito judeu espanhol, Moisés de León. Esse corpo tradicional de sabedoria, assim como as técnicas de sua utilização constitui o que conhecemos por Cabala – (qabbãlãh). Afirma-se que esse material foi retirado dos originais que remontam a Simeon bem Yohai, rabino da Galiléia do século II d.C.. Ameaçado de morte pelos romanos Simeon escondeu-se numa gruta por doze anos; dez séculos mais tarde seus escritos foram ali encontrados configurando-se a fonte dos livros do Zohar. Os ensinamentos de Simeon foram retirados, segundo se supõe, da hokmah nistarah, ou sabedoria sagrada de Moisés, que inicialmente estudou com sacerdotes egípcios.

Há um excerto de um dos livros do doutor Goffredo da Silva Telles que imagino ser adequado neste momento.

“O tradicional distanciamento, que sempre foi mantido pelos pesquisadores do Mundo do Espírito e da Cultura, relativamente ao mundo da Materia e da Natureza, assim como o clássico repudio à terminologia das Ciências Físicas nas Ciências Humanas, em nome da dignidade da etica e do Direito, é anacronismo avesso ao simples conhecimento das cousas. É manifestação obsoleta, contrária às estruturas da vida.”

É fácil compreender que a reação de cada pessoa ante os fatos da vida depende de suas crenças. Diferentes visões do mundo geram diversas interpretações do mesmo problema.

Todos nós temos algum tipo de visão do mundo segundo o qual nos orientamos. A visão do mundo que atualmente predomina no Ocidente teve sua origem no materialismo dos séculos passados. Por vezes encontramos essa visão misturada com idéias relativamente novas como a teoria da relatividade ou o princípio da incerteza de Heisenberg. Mesmo se ignorássemos a existência de tais princípios e conceitos, por sua simples inserção à cultura eles interpenetrariam nossas vidas e afetariam a nossa visão do mundo.

Estudos revelam que as pessoas se tornam hostis e defensivas quando alguém desafia suas crenças. Alguns axiomas compõem o que foi denominado “o inconsciente filosófico”, do qual, em grande extensão, não nos damos conta. Quando estes são ameaçados é comum que as pessoas sintam-se pessoalmente agredidas. A visão de mundo baseada nessas premissas afeta nossas experiências e ações muito mais do que imaginamos. Nossa crença sobre como é o mundo influencia nossas decisões e a forma como interpretamos o que ocorre à nossa volta.

A visão de mundo que prevalece no Ocidente deu origem à nossa ótica fragmentada do universo e de nós próprios. Essa visão baseada no chamado reducionismo do passado levou à análise das coisas em componentes progressivamente menores. A partir dessa perspectiva o mundo adquire um caráter material e parece composto de unidades isoladas e independentes.

De acordo com o físico David Bohm esse tipo de pensamento é um dos principais fatores determinantes da atitude divisionista que permeia o mundo contemporâneo.

Nossa tendência para fracionar a realidade que percebemos através dos sentidos é estimulada pela linguagem que enfatiza as diferenças. Vemos tudo aparentemente separado – árvores, rios, pássaros, pessoas, mares, etc.; talvez nosso ajuste focal esteja restrito a um ângulo muito estreito.

Agora seremos obrigados a reconhecer a terra como uma pequena aldeia global. A comunicação planetária instantânea e o crescente comprometimento dos recursos naturais são alguns dos acontecimentos que devem contribuir para que isto aconteça. Estamos tendo de abrir nosso foco para um ângulo de 360°.

Ao mesmo tempo a física moderna revela: aquilo que vemos imediatamente é na realidade um aspecto superficial do universo quântico. Tudo que imaginamos serem coisas reais a rigor são diminutas ondas de energia condensadas. Há entretanto ali relativamente mais campo que matéria.

Erwin Schroedinger, fundador da mecânica quântica, afirmou:

“Embora se configure inconcebível para a razão comum (…) você e todos os demais seres conscientes estão integrados reciprocamente. Portanto, esta sua vida atual não é meramente uma parte de toda a existência, senão que, em certo sentido, é o todo (…) Assim, você pode se lançar ao chão, espraiado na Mãe Terra, com a convicção de que você é uno com ela e ela contigo.”

Teillard de Chardin, paleontólogo jesuíta, estava absolutamente convencido pela ciência e pela filosofia que o universo é um todo indissociável.

“Quanto mais distante e profundamente penetramos na matéria, através de métodos progressivamente mais poderosos, mais somos confundidos pela interdependência de suas partes. Cada elemento do cosmos foi positivamente tecido por todos os demais (…) É impossível cortar esta teia para isolar uma parte sem que ela fique desemaranhada e rasgada em todas as suas extremidades.”

Quando todos nós soubermos viver conscientes de sermos partes intrínsecas do todo, a nova mitologia em formação no Ocidente, poderemos dizer que está instalado o novo paradigma e restabelecida a integridade ecológica.

CAPÍTULO II

Não é difícil entendermos que nossa relação com o Planeta é de consumidores para consumido. Somos grandes agentes de transformação da terra. Mesmo após a morte continuamos a consumir através de nossa descendência e outras iniciativas anteriores que se perpetuam no tempo.

Somos o resultado de nossa herança genética modificada por nossa cultura. Este “edifício”, suficientemente forte para nos garantir sobrevivência física através de inúmeras gerações, está dando sinais de colapso devido à sua atual incapacidade de se reciclar adequadamente. Por tais características genéticas e culturais, foi possível até então que nos impuséssemos enquanto espécie em detrimento de tudo à nossa volta. Esta predominância não aconteceu ao acaso e muito menos à revelia da natureza.

Todavia, sempre é tempo de enfrentarmos o nosso mais terrível inimigo: nós mesmos, nossa cultura, nossos mitos, nossos apegos, nossa insaciável demanda por sempre mais bens materiais.

Continuamos a ver o mundo sob uma ótica fragmentada, como se matéria fosse separada de espírito (consciência) e este fosse superior àquela. Na verdade não existe diferença, tudo é uno com a natureza.

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ÉTICA

pág.25:

… O Doutor Goffredo, em seu “ETICA” explica que distorções desse tipo são geradas a partir de uma determinada “tábua” de valores e dos juízos dali decorrentes.

“No juízo de valor, uma idéia de medida, de quantidade, de importância (e de limite) é atribuída a alguma outra idéia.”

Uma nação que afirma ser o homem fonte de poder original não pode pretender incriminá-lo por emitir cheque sem suficiente provisão de fundos. Tais comportamentos podem ser reflexos de uma cultura antropocentrista radical, que relega a natureza de tudo a um plano secundário, menos importante em relação ao homem. Ele se imagina de uma espécie fantasiosamente superior e, tal qual no caso daquela torneira apenas fincada na parede, divorciado do resto do mundo. No todo, pensamos e agimos de forma pouco razoável como as crianças crédulas e inconsequentes, porém, cheios de malícia, sem a desejável pureza.

Talvez, por isto, a maioria de nós não seja capaz sequer de entender o que acontece no mundo em que vive; queremos imaginar que há um Deus virtual, piedoso, que nos privilegia e irá nos salvar milagrosamente na hora precisa. Acreditando sermos os donos do mundo, nos apropriamos dele. Continuamos a nos multiplicar em progressão geométrica ocupando espaços que pertenceram a outros seres, inclusive humanos. Só no Brasil, nos últimos quatro séculos foram dizimadas cerca de 800 etnias indígenas e milhares de espécies animais e vegetais. O movimento que tenta evitar, deter, controlar ou moderar esta nossa vocação predatória do ambiente encontra grande dificuldade.

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FILOSOFIA

pág. 45:

… Para a existência de uma ordem é imprescindível que a disposição das coisas esteja adequada.

É evidente que intrinsecamente essa ordem possuirá sua regra e sua fórmula.

O nome genérico que possuem todos os princípios de que, sem exceção, todas as ordens dependem é lei.

Antecipando-se a qualquer ordem ou disposição de seres, haverá, implícita e intrinsecamente, um fim, para cuja consecução tudo estará disposto, consequentemente.

Esta regra da natureza não é para ser ignorada, jamais. Contrário senso haverá desordem ao invés de ordem.

Neste sentido uma lei só existe enquanto tal se for perfeita, isto é, se já estiver pronta na natureza. Podemos acatá-la, compreende-la e nos submetermos a ela ou violá-la e arcar com o ônus desta escolha.

Na dimensão antropocêntrica, por exemplo, quando elaboramos uma norma de comportamento social temos a oportunidade e a possibilidade de contemplar a dimensão ecocêntrica ou ignorá-la e observar apenas uma causa própria da espécie isoladamente.

O fato de escolhermos a segunda opção constitui-se num grande equívoco, pois implica na melhor das hipóteses em obtenção de alguma ordem relativa, o que significa dizer, genericamente, desordem, uma vez que a espécie componente da segunda hipótese representa apenas uma pequena parcela do todo.

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SOCIOLOGIA

pág.54:

… Como afirma o Doutor Waldemar de Gregori em seu “Cibernética Social”, anatropia é o movimento em direção ascencional, maior e mais alto grau de organização, complexificação do sistema ou maximocracia na dinâmica de energização; entropia é o movimento em direção à queda, degradação do sistema ou minimocracia na dinâmica da energização. É a luz vermelha do sistema, é o ponto de incidência do ‘feedback’, já que tudo é um esforço antientrópico; e homeostase é a oscilação em torno da média, sofrendo a atração dos dois pólos opostos, mantendo-se entre entre o piso e o teto toleráveis, além dos quais o sistema se desintegra por excesso ou falta.

O mais interessante de toda esta lógica é que não precisamos, necessariamente, viver alienados do nosso cotidiano para contemplarmos a perspectiva ecocêntrica. Mesmo porque existe a possibilidade de, como simples agentes de transformação, sermos excluídos em curto ou médio prazo evolutivo, e, se for este o caso, o melhor que podemos fazer para ajudar é o que já estamos fazendo, trabalhando neste sentido!

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ANTROPOLOGIA

pág. 19

… A cientista autora de “O Ser Quântico” assina Danah Zohar. O “Zöhar”, “luz”, “esplendor”, é uma coleção de escritos hebraicos esotéricos que vieram a lume por volta de 1305, graças a um erudito judeu espanhol, Moisés de León. Esse corpo tradicional de sabedoria, assim como as técnicas de sua utilização constitui o que conhecemos por Cabala – (qabbãlãh). Afirma-se que esse material foi retirado dos originais que remontam a Simeon bem Yohai, rabino da Galiléia do século II d.C.. Ameaçado de morte pelos romanos Simeon escondeu-se numa gruta por doze anos; dez séculos mais tarde seus escritos foram ali encontrados configurando-se a fonte dos livros do Zohar. Os ensinamentos de Simeon foram retirados, segundo se supõe, da hokmah nistarah, ou sabedoria sagrada de Moisés, que inicialmente estudou com sacerdotes egípcios.

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FÍSICA

pág. 19 a 22:

Muitos com preconceito hão de torcer o nariz ate o que, eventualmente chamarão de promiscuidade pseudo científica, espúria mistura improvável – principalmente por causa da inclusão das ciências ocultas – mas, ao final, hão de compreender que de fato jamais houve qualquer divórcio verdadeiro entre as ciências, fossem quais fossem.

Fritjoff Capra, por exemplo, em “O Tao da Física” abre seu livro citando o antropólogo e místico Carlos Castañeda; logo a seguir Capra faz um estudo comparativo entre misticismo oriental e física moderna demonstrando que, cada um à sua maneira, fala da mesma unidade de todas as coisas, da importância de se superar o dualismo e a noção de tempo e espaço.

Isaac Newton, Carl G. Jung, Leonardo da Vinci, Paracelso, Thomas Edson, Francis Bacon, e Einstein, entre outros, eram cientistas e místicos ao mesmo tempo; este último tinha a “Doutrina Secreta” de H.P. Blavatsky como livro de cabeceira. …

… Há um excerto de um dos livros do doutor Goffredo da Silva Telles que imagino ser adequado neste momento.

“O tradicional distanciamento, que sempre foi mantido pelos pesquisadores do Mundo do Espírito e da Cultura, relativamente ao mundo da Materia e da Natureza, assim como o clássico repudio à terminologia das Ciências Físicas nas Ciências Humanas, em nome da dignidade da etica e do Direito, é anacronismo avesso ao simples conhecimento das cousas. É manifestação obsoleta, contrária às estruturas da vida.”

É fácil compreender que a reação de cada pessoa ante os fatos da vida depende de suas crenças. Diferentes visões do mundo geram diversas interpretações do mesmo problema.

Todos nós temos algum tipo de visão do mundo segundo o qual nos orientamos. A visão do mundo que atualmente predomina no Ocidente teve sua origem no materialismo dos séculos passados. Por vezes encontramos essa visão misturada com idéias relativamente novas como a teoria da relatividade ou o princípio da incerteza de Heisenberg. Mesmo se ignorássemos a existência de tais princípios e conceitos, por sua simples inserção à cultura eles interpenetrariam nossas vidas e afetariam a nossa visão do mundo.

Estudos revelam que as pessoas se tornam hostis e defensivas quando alguém desafia suas crenças. Alguns axiomas compõem o que foi denominado “o inconsciente filosófico”, do qual, em grande extensão, não nos damos conta. Quando estes são ameaçados é comum que as pessoas sintam-se pessoalmente agredidas. A visão de mundo baseada nessas premissas afeta nossas experiências e ações muito mais do que imaginamos. Nossa crença sobre como é o mundo influencia nossas decisões e a forma como interpretamos o que ocorre à nossa volta.

A visão de mundo que prevalece no Ocidente deu origem à nossa ótica fragmentada do universo e de nós próprios. Essa visão baseada no chamado reducionismo do passado levou à análise das coisas em componentes progressivamente menores. A partir dessa perspectiva o mundo adquire um caráter material e parece composto de unidades isoladas e independentes.

De acordo com o físico David Bohm esse tipo de pensamento é um dos principais fatores determinantes da atitude divisionista que permeia o mundo contemporâneo.

Nossa tendência para fracionar a realidade que percebemos através dos sentidos é estimulada pela linguagem que enfatiza as diferenças. Vemos tudo aparentemente separado – árvores, rios, pássaros, pessoas, mares, etc.; talvez nosso ajuste focal esteja restrito a um ângulo muito estreito.

Agora seremos obrigados a reconhecer a terra como uma pequena aldeia global. A comunicação planetária instantânea e o crescente comprometimento dos recursos naturais são alguns dos acontecimentos que devem contribuir para que isto aconteça. Estamos tendo de abrir nosso foco para um ângulo de 360°.

Ao mesmo tempo a física moderna revela: aquilo que vemos imediatamente é na realidade um aspecto superficial do universo quântico. Tudo que imaginamos serem coisas reais a rigor são diminutas ondas de energia condensadas. Há entretanto ali relativamente mais campo que matéria.

Erwin Schroedinger, fundador da mecânica quântica, afirmou:

“Embora se configure inconcebível para a razão comum (…) você e todos os demais seres conscientes estão integrados reciprocamente. Portanto, esta sua vida atual não é meramente uma parte de toda a existência, senão que, em certo sentido, é o todo (…) Assim, você pode se lançar ao chão, espraiado na Mãe Terra, com a convicção de que você é uno com ela e ela contigo.”

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BIOLOGIA

pág. 46:

Assim, mesmo que queiramos nos privilegiar em detrimento de tudo o mais nós não podemos, pois por força de lei, somos e, mais do que nunca, estamos adstritos a termos de contemplar a perspectiva ecocêntrica. É a nossa única alternativa amplamente consciente, mesmo que o canhestro fim almejado seja apenas, egoisticamente, a preservação da nossa espécie.

É inevitável, não existe separação de fato, pois, sob esta ótica ampliada, se quisermos ser antropocêntricos teremos de ser necessariamente ecocêntricos.

Não podemos continuar extinguindo os elementos que compõem a estrutura da vida no planeta sob a certeza de chegarmos à ruína absoluta.

Admitindo-se a hipótese de eu não ter sido suficientemente claro, convincente e didático, para melhor compreensão do que pretendo dizer, a partir deste ponto, é importante uma exposição da Teoria Gaia.

“James Lovelock fez uma descoberta iluminadora que o levou a formular um modelo que é, talvez, a mais surpreendente e mais bela expressão de auto-organização – a idéia de que o planeta Terra como um todo é um sistema vivo, auto-organizador. (…)

O processo de auto regulação é a chave da idéia de Lovelock. Ele sabia, pela astrofísica, que o calor do sol aumentou em 25 por cento desde que a vida começou na Terra e que, não obstante esse aumento, a temperatura da superfície da Terra tem permanecido constante, num nível confortável para a vida, nesses quatro bilhões de anos. E se a Terra fosse capaz de regular sua temperatura, indagou ele, assim como outras condições planetárias – a composição de sua atmosfera, a salinidade de seus oceanos, e assim por diante – assim como os organismos vivos são capazes de auto-regular e de manter constantes a temperatura de seus corpos e também outras variáveis? Lovelock compreendeu que essa hipótese significava uma ruptura radical com a ciência convencional. (…)

Nessa época Lovelock não tinha idéia de como a terra poderia regular sua temperatura e a composição de sua atmosfera: (…) No entanto, ao mesmo tempo, a microbiologista norte-americana Lynn Margulis estava estudando os processos que Lovelock precisava entender – a produção e a remoção de gases por vários organismos, incluindo especialmente as miríades de bactérias presentes no solo da Terra. (…) Logo depois, vários colegas dela recomendaram que conversasse com James Lovelock, o que levou a uma longa e proveitosa colaboração, a qual resultou na hipótese Gaia plenamente científica. (…)

O aspecto de destaque desses laços de realimentação está no fato de que ligam conjuntamente sistemas vivos e não vivos. Não podemos mais pensar nas rochas, nos animais e plantas como estando separados uns dos outros. A teoria de Gaia mostra que há um estreito entrosamento entre as partes vivas do planeta – plantas, micro-organismos e animais – e suas partes não vivas – rochas, oceanos e a atmosfera.

(…) Os vulcões da Terra tem vomitado enormes quantidades de dióxido de carbono (CO2) durante milhões de anos. Uma vez que CO2 é um dos principais gases de estufa, Gaia precisa bombeá-lo para fora da atmosfera; caso contrário, ficaria quente demais para a vida. Plantas e animais reciclam grandes quantidades de CO2 e de oxigênio nos processos de fotossíntese, da respiração e da decomposição. No entanto essas trocas estão sempre em equilíbrio e não afetam o nível de CO2 da atmosfera. (…)

No processo de erosão das rochas, estas combinam-se com a água da chuva e com o dióxido de carbono para formar várias substâncias químicas denominadas carbonatos. O CO2 é então retirado da atmosfera e retido em soluções líquidas. (…) Lovelock e outros descobriram que a presença de bactérias no solo aumenta enormemente a taxa de erosão das rochas. (…)

Os carbonatos são então arrastados para o oceano, onde minúsculas algas, invisíveis a olho nu, os absorvem e os utilizam para fabricar primorosas conchas calcárias (de carbonato de cálcio). Desse modo, o CO2 que estava na atmosfera vai parar nas conchas dessas algas diminutas (…). Além disso, as algas oceânicas também absorvem dióxido de carbono diretamente do ar.

Quando as algas morrem, suas conchas se precipitam para o fundo do mar, onde formam compactos sedimentos de pedra calcária. (…) Devido ao seu enorme peso, os sedimentos de pedra calcária gradualmente afundam no manto da terra e se fundem, podendo até mesmo desencadear os movimentos das placas tectônicas. Por fim, parte do CO2 contido nas rochas fundidas é novamente vomitado para fora por vulcões, e enviado para uma outra rodada do grande ciclo de Gaia.”

Sob esta perspectiva impõe-se a revisão e substituição dos velhos paradigmas que orientaram nossa espécie até então.

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HISTÓRIA

pág. 11 e 12

… Já vai bem longe o dia em que pela primeira vez me ocupei de pensar acerca das mensagens da natureza e, desde então, nunca mais me afastei desta empreitada.

Sempre tive enorme vontade de entender a dinâmica da vida e suas implicações. Mesmo nos momentos em que estive envolvido com qualquer outro tipo de atividade laborativa jamais pude me livrar dessa curiosidade que herdamos dos nossos antepassados. Feliz ou infelizmente, não sou capaz de esquecê-la, algumas questões me acompanharam por mais de trinta anos até serem transformadas em conhecimento, outras, e as mais recentes, tenho convicção de que não me abandonarão sem que eu as responda.

Enquanto cursava o bacharelado em Direito, de 1987 a 1991, “intuía” – se é que posso assim classificar – que em algum ponto, na base, nos alicerces, no passado de nossa estrutura jurídica havia algo mal formulado, equivocado ou mal explicado.

Não concordava com a doutrina quando esta afirmava ser o Direito um fenômeno estritamente cultural, ou meramente, humano. Resisti, com honestidade a essa “catequese”, não aceitei a divisão cartesiana que separava tudo em dois campos: de um lado as leis naturais, como a Física e a Matemática, e de outro as leis culturais como Direito e a Sociologia, por exemplo. Posteriormente entendi tratar-se de um corte epistemológico, mas, antes que isto acontecesse, pus-me a estudar.

Passei a me interessar pela história e a construção dessa lógica até, enfim, encontrar o que me pareceu ser o ponto vernal. Estava localizado entre a escola pitagórica e a sofista o momento em que os Homens deixaram de interpretar o Direito como um fenômeno maior, emanado de Deus, para reduzi-lo a simplesmente humano.

Em outras palavras, os filósofos pré-socráticos viam o Direito como uma manifestação de um Deus ou dos deuses e os sofistas que fora o homem, com seu intelecto e cultura que, isoladamente, houvera criado o Direito. Para eles, este era um fenômeno exclusivamente cultural.

É importante ressalvar que, por motivos que abordarei posteriormente o conceito que tínhamos do que fosse “Deus”, também cultural, foi mudando através dos tempos até chegarmos a este Deus virtual; um Deus mal humorado, distante, isolado em seu reino, sentado em seu trono como um velho.

Muito antes desse “Deus” cultivado o homem encontrou na sua comunhão com a natureza uma força maior à qual rendia suas homenagens. A partir do momento em que essa força começou a ser cultuada passou a ser comunicada, de geração a geração, pela forma verbal, com todas as limitações inerentes a esse meio. Assim, seu significado foi sendo modificado através dos tempos até chegar ao ponto de ter vários simultaneamente.

Voltando aos sofistas, um de seus grandes méritos foi promover através da lógica e da razão aquela separação. Naquele momento histórico, por meio daquele Deus, os sacerdotes exerciam grande influência sobre sua época atribuindo direitos de origem divina e duvidosa segundo regras igualmente questionáveis. Muitos direitos foram atribuídos daquela maneira. Esta a origem de inúmeras injustiças perpetradas no Ocidente desde então. O suplício de mulheres e escravos se deve a esse Direito emanado dos intérpretes de uma divindade de características unicamente masculinas, que afirmava serem algumas espécies humanas as únicas herdeiras do paraíso terrestre. A partir desta sofrível justificativa nos apropriamos do mundo e de outros seres. Esta distorção se concretizou e perenizou como se verdade fosse e assim permanece produzindo efeitos atualmente.

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ESPIRITOLOGIA

pg. 41:

… Nas palavras de Albert Einstein: “podemos então considerar a matéria como constituída por regiões do espaço nas quais o campo é extremamente intenso. (…) Não há lugar nesse novo tipo de Física para campo e matéria, pois o campo é a única realidade.”

Para Einstein e para a física quântica não existe divisão entre matéria e energia. As partículas são concentrações de energia que se condensam e solvem ciclicamente em ondas por razões ainda desconhecidas. O mais importante aspecto dessa descoberta, para este trabalho, é o destronamento dessa lógica bidimensional cartesiana e, também, a desmistificação da idéia de que o homem tenha sido o único ser criado por Deus à sua imagem e semelhança para ser o senhor da terra e do universo. Afinal, é possível que sejamos todos formados pela mesma energia original, que compartilhamos o mesmo campo com tudo que é – por nossa cultura – considerado inferior, como minerais, animais, vegetais e anjos, ou superior, como deuses, semideuses, santos, etc..

“A cooperação harmônica de todos os seres surgiu não das ordens de uma autoridade superior, exterior a eles próprios, mas do fato de que todos fazem parte de uma hierarquia de totalidades, compondo um padrão cósmico, e aquilo a que eles obedeciam eram os ditames internos de suas próprias naturezas.”

Eu e o Pai somos um”. Essas palavras de Jesus Cristo, por paradoxal que possa parecer, talvez queiram dizer exatamente o que acabo de sugerir no parágrafo anterior. Para que compreendamos, basta que admitamos que o “Pai”, o criador a que Jesus se refere, é exatamente essa energia, vácuo ou campo original já mencionada, componente universal de todos, de tudo e do nada, simultaneamente. Sim, pois, se o nada, o vácuo perfeito existe, mesmo que apenas conceitualmente, idealmente, tem a mesma origem de tudo o mais, logo, Deus é o tudo, mas para tanto tem que ser também o nada!

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Capra Fritjof, “A Teia da Vida”, pág. 92 e 93, Ed. Cultrix, 1996.

Campbell Joseph, “O Poder do Mito”, Editora Palas Athena, 3ª edição, ano 1992, pág. 22.

“O Ser Quântico”, Zohar Danah, Editora Best Seller, ano 1990, págs. 56 a 58.

“O Tao da Física”, Capra Fritjof, Editora Cultrix, ano 1996, pág. 160.

Needham Joseph, “Science and Civilization in China”, vol. 2, pág. 582, Cambridge University Pres, 1956.

Schroedinger Erwin, “My View of the World”, pág. 21, Ed. Cambridge University Press, 1964.

Chardin Teillard de, “The Phenomenon of Man”, pág. 43, Harper Torchbooks, 1965.

Kelsen Hans, “Teoria Pura do Direito”, pág. 34, Ed. Martins fontes, 1994.

Kelsen Hans, “Teoria Pura do Direito”, pág. 02

Benjamin Antônio Hermam de Vasconcellos – “Objectivos do Direito Ambiental” – in Actas do I Congresso Internacional de Direito do Ambiente da Universidade Lusíada – Porto – 1996.

Capra Fritjoff, “O Tao da Física”, Editora Cultrix, ano 1996.

Campbell Joseph, “O Herói de Mil faces”, Cultrix Pensamento, ano 1997, notas às pág. 286 e 287.

Telles Junior Goffredo da Silva, “ETICA” – ´Do Mundo da Celula ao Mundo da Cultura` – pág. 117, Revista dos Tribunais, ano 1988.

Nicholson Shirley, “Sabedoria Antiga e Visão Moderna”, Ed. Teosófica, 1985.

Wilber Ken, “The Spectrum of Consciousness”, pág. 150, Ed. Theosophical Publishing House.

Bohm David, “Wholeness and the Implicate Order”, pág. 11, Ed. Routledge and Kegan Paul, 1980.

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