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Na mitologia judaico-cristã a serpente seduz a mulher, esta seduz o homem e, por isto, homem e mulher são expulsos do paraíso. Entenda-se por cristã as ideologias das igrejas e não o cristianismo original que era reformador do judaísmo e foi rejeitado pelos judeus e sincretizado por Roma.

Na mitologia indiana a serpente representa o kundalini, é a energia vital natural. Um aspecto importante dessa energia é a sexual, essencial à natureza humana.

Em ambas as mitologias a serpente representa a Natureza!

Ao separar o homem da natureza, a mitologia judaico-cristã o divorcia do mundo real e o encaminha para o que chamamos de cultural, isto é, o criado pelo homem sobre a Natureza. Ela o faz crer que é um ser à parte da Natureza e que a sociedade é seu centro. A partir dessa distorção, desenvolve-se uma mitologia em que o homem disputa com a Natureza, a Natureza compete com Deus e Deus, seu criador, omnisciente e omnipotente, condena a Natureza, neste caso representada pela serpente que no mito representou sua antagonista.

Esse dado de programação religiosa nos conduziu ao atual estado avançado de deterioração do meio ambiente. A metáfora a ser extraída dessa mitologia nos leva a crer que somos seres especiais e superiores a tudo o mais na Natureza, e isto nos autorizaria a dominar a Natureza para atender nossos interesses à parte dela.

O fato é que não somos superiores à Natureza e não podemos dominá-la como um todo, somos espécie enquanto ela é gênero. Ao ignorarmos isto cometemos o equívoco que nos conduziu ao estado doentio em que nos encontramos. Resta-nos a alternativa de corrigir o rumo a partir de uma nova mitologia, a Sagração da Natureza, caso contrário, a julgar pelo fato de que os meios adotados condicionam a um fim previsível logicamente, nos extinguiremos inevitavelmente.

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