Leiam abaixo excelente artigo do grande BIÓLOGO EVOLUCIONISTA:

O homem, esse animal suicida, segundo Jared Diamond

LE MONDE CULTURE ET IDEES | 27.09.2012 à 16h36

Por Frédéric Joignot

Ele mora em Bel Air, bairro muito chique com exuberantes jardins de Los Angeles, em uma grande casa de madeira, cheia de estampas de animais. Com sua barba imponente, nos seus 74 anos ele mais parece um velho pregador amish. Devo dizer que este professor de geografia na UCLA, da venerável universidade da “Cidade dos Anjos”, biólogo evolucionista de renome, volta de novo à cena depois do fracasso da Rio +20, onde nenhuma ação importante foi tomada para tornar nosso planeta mais sustentável.

Desde então, muitos se perguntam se, finalmente, Jared Diamond não teria razão. Se a humanidade não corre célere para um desastre ecológico, perigo contra o qual ele advertiu em seu ensaio Colapso (2005). Neste best-seller internacional, duramente debatido pela elite científica, Diamond mostra como, em várias ocasiões, as destruições do meio ambiente têm contribuído para o colapso de sociedades. O autor vai ainda mais longe ao falar de “ecocídio”- genocídio ecológico. Enquanto alguns criticam o seu artigo, Diamond dá palestras ao redor do mundo, apelando para que a humanidade se reoriente.

SUSTENTABILIDADE E AUTODESTRUIÇÃO

A Cumbre do Rio mostrou que, com crise econômica, as exigências ecológicas passam a um segundo plano. Ainda recentemente fomos informados, um mero exemplo, entre outros, que o gelo do Ártico corre o risco de derreter antes de 2020, que as geleiras da Groenlândia estão ameaçadas, o que vai acelerar ainda mais o aquecimento global e perturbar fortemente  a circulação das águas oceanicas. Teríamos entrado no cenário trágico descrito por Jared Diamond em Colapso? Ele nos responde: “A humanidade está em uma corrida entre duas escuderias: A da sustentabilidade e a da autodestruição. Hoje em dia os carros correm mais ou menos na mesma velocidade, e ninguém sabe quem vai ganhar. Mas conheceremos o resultado antes de 2061, quando meus filhos tiverem minha idade, sobre quem é o vencedor”.

Se Jared Diamond é tão ouvido, discutido e contestado, é porque ele revolucionou a narrativa clássica da história, através de três livros colossais, onde ele descreve em detalhes as relações conflitantes entre a humanidade e a natureza, há mais de 13.000 anos. Antes de Colapso, escreveu O Terceiro Chimpanzé (1992), que descreve as primeiras devastações do homo sapiens sobre a natureza, e nos faz imaginar um futuro difícil, e o livro A Desigualdade entre as Sociedades (1998), que mostra como a geografia ajuda ou penalisa o desenvolvimento das civilizações – esse último lhe rendeu o Prêmio Pulitzer.

Com Diamond, torna-se impossível separar a aventura humana da geografia para compreender o desenvolvimento ou o declínio das sociedades, independentemente dos recursos naturais dos países, de sua exploração ou de sua degradação. Ouçamos suas palavras: “Não se pode imaginar por que não foram os índios da América do Norte que conquistaram a Europa com caravelas carregando fuzis e canhões, ou porque os aborígenes australianos não dominaram a Ásia sem comparar a riqueza agrícola destas regiões, os animais que lá viviam, a lentidão com que a agricultura foi estabelecida, e, além disso, o pensamento técnicista  e  a gestão dos recursos. ”

O EXEMPLO DO FÉRTIL CRESCENTE

Jared Diamond também aborda o berço da nossa civilização, o famoso Crescente Fértil (Irã, Iraque, Síria, Líbano, Jordânia, etc.), onde apareceu, pela primeira vez, uma sociedade agrícola, sedentária, artesanal, equipada com ferramentas, e que, depois, seria urbana. Para ele, este milagre foi possível por três motivos: “O trigo, cevada, grão de bico, lentilha, linho cresciam de forma nativa naquela região, podendo ser cultivados, armazenados, e trançados para gerar o linho. Cinco espécies de animais essenciais à alimentação, ao transporte e aos trabalhos agrícolas lá viviam – os cães, as ovelhas, os porcos, os bovinos, os cavalos. Finalmente, os grandes rios e o Mediterrâneo permitiram que os conhecimentos fossem disseminados e aperfeiçoados”.  Diamond compara em seguida o Crescente Fértil com a Austrália, onde, nessa mesma época, não se encontrava nenhum mamífero domesticado e apenas uma noz cultivada.

O biólogo Diamond quer refutar qualquer explicação sobre as desigualdades humanas com base na disparidade racial ou genética entre as populações. Para ele, unindo-se aos estudos  do historiador Fernand Braudel, apenas a  biogeografia e a ecologia  científica  permitem compreender as enormes diferenças no crescimento das sociedades. Ou no seu declínio também… O Crescente Fértil foi degradado quando o homem começou a desmatar para construir frotas de guerra, causando irremediável desertificação.

Para fundamentar suas análises, Jared Diamond leva em conta as medições coletadas pela paleoecologia (estudo de biótopos passados), pela palinologia (coletando pólens antigos), pela dendrocronologia (datação da madeira), pela estratigrafia, pela paleoclimatologia, pela geoquímica e pela paleogenetica para estudar a relação das populações com sua terra, para compreender se as culturas eram muito intensivas ou sustentáveis. Ele também convoca a antropologia forense para descrever qual era o estado de saúde dos ricos e dos pobres, a idade média das pessoas, o trabalho das mulheres, etc.

Apenas ele poderia explicar que a agricultura, desde seu surgimento, não teve apenas conseqüências favoráveis: “Estudos mostram que os caçadores-coletores que viviam antes da agricultura estavam em melhor  estado de saúde e mais bem nutridos do que os cultivadores. Sua dieta era mais variada em proteínas e vitaminas, eles tinham mais tempo disponivel e dormiam bastante”.  Além disso, as pessoas desconfiavam da agricultura. Ela não foi adotada na Europa senão lentamente (um quilômetro por ano!). Nos Estados Unidos, idem (os Ameríndios da Califórnia recusaram-se a praticá-la até o século XIX). Desde o início ela era sinônimo de má nutrição, de epidemias e doenças parasitárias, por causa da promiscuidade e das descargas de águas usadas.

Acrescentemos que a agricultura deu origem a uma estratificação social entre a massa de camponeses com problemas de saúde, onde as mulheres se esgotavam nos sucessivos partos (as lesões nos esqueletos e  as  múmias atestam), e uma pequena elite pouco produtiva que governava (funcionários públicos, comerciantes, príncipes, sacerdotes, senhores da guerra). Diamond diz: “Esta divisão persiste entre uma elite mundial saudável, que come carne, e aproveita dos recursos do petróleo e das terras dos países do Sul, e os camponeses pobres que muitas vezes tiveram destruídas suas culturas de subsistência”. Esta situação, segundo ele, se perpetua no  Hemisfério  Sul, criando insegurança alimentar. Resultado: “Mais de um bilhão de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza extrema”.

DEZENAS DE GENOCÍDIOS

Para a americana J. R. McNeill, da Universidade de Georgetown, como para outros historiadores, Diamond expandiu os limites da disciplina história, combinando-a com o campo das ciências naturais. Ele confirma: “Eu abordo as sociedades passadas e presentes observando seu crescimento e a sua fragilidade e me interesso por todas as variáveis ​​mensuráveis ​​que contribuem para essa análise. Sou um historiador comparativo do longo prazo.”.

Sua constatação nos assusta: Desde a Idade da Pedra, a humanidade nunca interrompeu a contínua destruição de outras espécies, devastando gradualmente a biodiversidade. Jared Diamond admira o homem pelo seu gênio inventivo, mas ele também o vê como um genocida: “Quando os homens cruzaram o Estreito de Bering, há 12.000 anos AC, e ganharam a América do Norte, eles se entregaram a uma carnificina incrível. Em poucos  séculos, eles exterminaram os tigres de dentes de sabre, leões, alces, veados, ursos gigantes, bois almiscarados, mamutes, mastodontes, preguiças gigantes, os glyptodontes (tatus de uma tonelada),  castores colossais, camelos, grandes cavalos, enormes rebanhos de búfalo. ” Os animais, que haviam sobrevido  a três eras glaciais,  pereceram: 73% dos grandes mamíferos na América do Norte,e  85% na América do Sul. “Foi a extinção animal mais massiva desde os dinossauros, continua Jared Diamond. Estes animais não tinham nenhuma  experiência com a ferocidade do homo sapiens. Foi sua desgraça. Desde então, nós continuamos a  eliminar inúmeras espécies”.

Matar em série, de forma planejada, lobos e macacos também praticam. Mas o homem massacra em proporções sem precedentes. Em todas as épocas, muitas vezes por questões de território, mas também por razões etnicas (racismo) ou psicológicas (designação de um bode expiatório, inferiorização do outro), o homem sempre procurou destruir os seus rivais e as minorias. Dezenas de genocídios, combinando perseguições, massacres, epidemias, em grande ou pequena escala, ocorreram em todos os momentos, em todos os lugares.

Se o genocídio de judeus e de ciganos ainda é lembrado, não nos esqueçamos, diz Diamond, que pouco se aprendeu com ele”: Desde 1950 contamos 20 episódios de genocídio, dois dos quais envolveram mais de um milhão de vítimas (Bangladesh e Camboja na década de 1970), e mais quatro de 200.000 (Sudão e Indonésia na década de 1960, e Burundi e Uganda, na década de 1970). O genocídio faz parte de nossa herança pré-humana e humana”.

O DECLÍNIO DOS MAIAS

Jared Diamond também se interessou por civilizações ​​que desabaram, perguntando se a nossa estaria ameaçada. Além disso, as páginas do livro Colapso que ressoam mais fortemente com as preocupações de hoje são aquelas que tratam das civilizações desaparecidas, onde a destruição do meio ambiente foi preponderante: a da Ilha de Páscoa, das ilhas de Henderson e Pitcairn, a dos ameríndios Anazari do sudoeste dos Estados Unidos, a dos Vikings do Norte.

E, especialmente, pelo império dos Maias. Diamond mostra como os maias cortaram as árvores até o topo dos morros para fazer gesso, enquanto praticavam o cultivo intensivo de milho. Ele nos relata o que aconteceu: “Este desmatamento liberou solos ácidos, que foram contaminando vales férteis, o que foi afetando as chuvas. Finalmente, entre 790 e 910, a civilização Maia da Guatemala, que conhecia a escrita, irrigação, astronomia, que construia cidades pavimentadas e templos monumentais, com sua capital, Tikal, de 60 000 habitantes, desapareceu. Foram cinco milhões de famintos deixando as planícies do sul, abandonando as cidades, vilas e casas. Eles fugiram na direção de Yucatán, ou começaram a se matar uns aos outros, lá mesmo”.

Diamante destacou em seu estudo sobre o “collapsus” (do latim lapsus, “cair”) “cinco fatores decisivos”, que ele diz encontrar em cada decadencia, e fala de um “processo de destruição quase sempre inconsciente”.  Quais seriam esses fatores? Um- Os homens infligem danos irreparáveis ​​ao meio ambiente, esgotando os recursos essenciais para a sua sobrevivência. Dois: uma mudança climática perturba o equilíbrio ecológico, seja  natural ou consequência de atividades humanas (seca, desertificação). Três: a pressão militar e econômica por vizinhos hostis aumenta devido ao enfraquecimento do país. Quatro: a aliança diplomática e comercial com os aliados para fornecer bens necessários e apoio militar se desfaz. Cinco: os governos e as elites não têm os meios intelectuais para avaliar o agravamento do colapso ou pior, o colapso é agravado pelos comportamentos dessas castas, que continuam a proteger os seus privilégios no curto prazo.

Jared Diamond aplicou esta grade analítica a nossa época. “Encontramos os cinco fatores nos desastres de Ruanda, Afeganistão, Somália, África Sub-saariana, nas Ilhas Salomão e no Haiti.” Ele vê ainda o ” fator um ” (grandes danos ao meio ambiente) associado com o “fator dois” (aquecimento climático de origem humana) na China, Rússia e Austrália. Ele também lamenta a degradação ecológica do Estado de Montana o mais arborizado dos Estados Unidos, cujas neves eternas derretem.

Ele esboça uma longa lista de danos ambientais que ameaçam a biosfera a  curto prazo: a crise da água potável que alcança um bilhão de pessoas, enquanto os lençois freáticos estão cada vez mais baixos ; destruição de pântanos, manguezais, recifes de coral ; extinção  em massa de grandes espécies de peixes marinhos; a devastação do fundo dos oceanos;  a desertificação dos solos e a forte diminuição do tamanho das últimas grandes florestas nos trópicos; Devido ao uso intensivo de agrotóxicos e de desfolhantes o massacre de grande quantidade  de espécies úteis como insetos, polinizadores, bactérias do solo, minhocas, pássaros: “É como se retirássemos aleatoriamente  pequenos rebites e parafusos na montagem de uma aeronave”, diz ele. Finalmente, a incerteza sobre a magnitude do aquecimento global o preocupa muito: “Não sabemos nada sobre eventuais mudanças climáticas novas resultantes da mudança na circulação oceânica, a partir do derretimento da cobertura de camadas de gelo”.

Greenpeace construíu um coração com 193 bandeiras de países membros da ONU sobre o gelo do Ártico, 14 de setembro de 2012.

Aqui ele se une aos medos de glaciólogos e climatologistas em função do rápido desaparecimento do gelo do mar Ártico observado no final de agosto pela NASA. A cobertura de gelo foi reduzida pela metade em 30 anos. Todo mundo está se perguntando qual será o impacto sobre o clima. Muitos já anunciaram um aumento de calor e umidade, variações maiores de temperatura ou chegando a eventos extremos, até então desconhecidos. E sem ser capaz de precisar o tamanho do impacto. Os pesquisadores falam de uma rápida “modificação do sistema de tempestades no hemisfério Norte.” Outros temem um “efeito dominó″ descontrolado: o papel do espelho solar de gelo diminuindo, a radiação vai se agravar, o gelo vai derreter em todos os lugares, a Groenlândia será afetada no curto prazo, o que vai acelerar a elevação das águas, enquanto libera enormes quantidades de metano, gas de efeito estufa poderoso. De acordo  com Peter Wadhams, um dos especialistas do oceano polar “, não será possível fazer praticamente mais nada a partir dos próximos dez anos.”

Nos Estados Unidos, William Rees, professor de ecologia da Universidade de Columbia, apresentou Colapso como “um antídoto necessário” aos ecoceticos. Climatologistas e pesquisadores para quem nós acabamos de entrar na “Antropocena” – uma era em que as atividades humanas constituem uma força geológica e climática poderosa e perigosa– enxergam Diamond   como um aliado. Quanto aos ecologistas políticos, eles o associam ao filósofo alemão Hans Jonas, que, no livro “O Princípio da Responsabilidade ”(1979),   advertiu a humanidade contra a “irreversibilidade” e “interdependência” dos danos causados ​​ao ambiente.

Adversários das idéias de Diamond é que não faltam. Historiadores o acusam de catastrofismo, outros de que ele dá demasiada importância aos impactos ecológicos, enquanto outros o criticam por negligenciar as causas sociais, políticas, burocráticas e religiosas do declínio das sociedades. Muitos preferem ficar com as análises feitas pelo Arnold Toynbee em “Um Estudo da História” (1934-1961), para quem “as civilizações morrem de suicídio, e não de homicídio” por causa da degeneração das elites desfrutando de “privilégios hereditários que já  cessaram de merecer “, tornando-se incapazes de se adaptar a novas ameaças.

INOVAR DIANTE DOS PERIGOS

Face ao desastre anunciado, alguns se opõem ao trabalho do arqueólogo Joseph Tainter no “Colapso de sociedades complexas” (1990), onde ele afirma que as sociedades desenvolvidas conseguemgerenciar a “adversidade ambiental” por meio de uma “administração central”. Este último não pode acreditar “na idiotia das elites em face do desastre”.  Um grupo de antropólogos americanos publicou em 2009 “Questionando o Colapso”, onde eles identificaram muitos erros e exageros feitos por Diamond em sua apresentação sobre o  declínio dos Maias, mas, sobretudo, onde eles defendem a resiliência dessas sociedades em risco. Este é um argumento recorrente dos adversários das teses de Colapso: o livro esquece o princípio da esperança, subestima a engenhosidade humana e sua propensão a reagir, para um despertar para uma nova consciência, para inovar diante do perigo.

As críticas  quanto a seu pessimismo são descartadas por Jared Diamond: “Nós esquecemos o subtítulo do meu livro” Como as sociedades escolhem desaparecer ou sobreviver”. Nós ainda temos uma escolha … Em Colapso, descrevo várias sociedades que  foram capazes de impedir tragédias ambientais, como a japonesa salvando suas florestas no período Edo,  e dos holandeses com seus polders ( NT- polders =  terras que os holandeses ganharam do mar com seus diques).  Daí a minha metáfora: “Temos de pensar o planeta como um polder.”

Quanto aos argumentos de Tainter sobre o despertar das elites, Jared Diamond diz que gostaria de acreditar. Mas ele critica o historiador por não enxergar a “cegueira de chefias”, que levam uma vida protegida, como a classe rica do Haiti, empoleirada na colina Piétonville, acima de uma Port-au-Prince devastada. E quando ele é acusado de dar muita importância à geografia e à ecologia, Diamond tem esta fórmula: “Dê um passeio nu no Pólo Norte, sob um  sol quente, e  tente crescer o trigo, e em seguida venha me falar sobre o pequeno papel do clima na história e do espírito humano. ”

O DOLOROSO “FATOR 32″

Alguns críticos acusam Jared Diamond de exagerar os riscos de superpopulação, dramatizando em excesso e, de encarnar esse desprezo ocidental pelos povos do Sul que pretendem consumir como nós, e não se concentrar em soluções concretas que esses países do Sul poderiam inventar. “A população não é o problema, mas o que ela consome e degrada sim, responde Jared Diamond. Se os homens vivessem em uma câmara fria, nós não teríamos nenhum problema de recursos.”

Ele faz essa comparação: “O Quênia tem uma população que cresce  mais de 4% ao ano. Isto é um problema para os 30 milhões de pessoas daquele  país que sofrem de desnutrição, mas eles não são um fardo para o resto do mundo. .. por que os quenianos consomem muito pouco.  O problema são os 300 milhões de americanos onde, cada um deles, consume tanto quanto os 30 milhões de quenianos.  E eles acabam  fazendo o mundo todo  pagar essa conta: emissões, o aquecimento global, o desmatamento, a criação pecuária intensiva ”

Jared Diamond fala de um “fator de 32″ que faz mal ao planeta. “O consumo médio per capita de recursos como o petróleo e os metais, ou a produção média de resíduos, como plástico ou as emissões de gases de efeito estufa, são, em média, 32 vezes maior nos países desenvolvidos.” Ele tira então conclusões alarmantes. “As taxas de consumo na China são 11 vezes menores do que as taxas nos EUA. Mas se amanhã toda a China ultrapassar os níveis de vida dos norte-americanos, o consumo mundial de petróleo vai aumentar 106% e o dos metais em 94%. Se a Índia seguir no mesmo rítmo, eles iriam triplicar. Da mesma forma as emissões de gases de efeito estufa e as poluições de todos os tipos”

E, se em razão da ascensão da China, da Índia e de outros países, o consumo mundial aumentasse 11 vezes, esse valor, diz Jared Diamond, equivaleria a uma população mundial de 72.000 bilhões de habitantes. “Os otimistas acreditam que podem viver na Terra 9,5 bilhões de habitantes, mas poderíamos viver  se chegássemos a  72 bi? Não, recursos terrestres não seriam suficientes …”

Jared Diamond

Jared Mason Diamond (Boston, 10 de setembro de 1937) é um biólogo evolucionário, fisiologista, biogeógrafo e autor de não-ficção estado-unidense. Ele é mais conhecido pelo seu livro Guns, Germs, and Steel (Armas, germes e aço no Brasil, 1997), vencedor do Prêmio Pulitzer.

Biografia

É filho de um pai médico e uma mãe professora, música e lingüista. Depois de cursar a Roxbury Latin School, obteve seu Bacharelado pela Universidade de Harvard, em 1958, e seu PhD em Fisiologia e Biofísica de membranas pela Universidade de Cambridge, em 1961. Entre 1962 e 1966, retornou a Harvard como um junior fellow. Tornou-se professor de Fisiologia na UCLA Medical School em 1966.

Entre seus vinte e trinta anos, Diamond também desenvolveu uma segunda carreira paralela em Ecologia e evolução dos pássaros da Nova Guiné, e fez diversas viagens de exploração na Nova Guiné e nas ilhas vizinhas. Em 1975, propôs uma importante teoria sobre a organização de comunidades ecológicas, as chamadas ‘regras de montagem’ (do inglês, assembly rules).

Depois dos 50 anos, Diamond gradualmente desenvolveu uma terceira carreira em história ambiental, tornando-se professor de Geografia e Ciências de Saúde ambiental na UCLA, sua atual posição.

Diamond fala uma dúzia de línguas, e seus livros baseiam-se em campos tão diversos quanto biologia molecular, linguística e arqueologia, bem como conhecimentos pontuais sobre design de máquinas de escrever e o Japão feudal.

Obra

Livros

Artigos

  • Curse and Blessing of the Ghetto (março de 1991) Discover, pp.60-66
  • Japanese Roots (junho de 1998) Discover
  • The Worst Mistake in the History of the Human Race (maio de 1987) Discover pp. 64-66
  • Ethnic differences. Variation in human testis size. (abril de 1986) Nature 320(6062):488-489 PubMed.

Ligações externas